Jogo de cabra-cega

Se me escutasses

Talvez te pudesse dizer

Aquilo que sem voz

em pensamento me atormenta

 

Se me escutasses

Talvez te pudesse dizer… liberdade

Tu que me foges

Neste jogo de cabra-cega

Não te alcanço

 

Vezes e vezes sem conta..

Rasgos de injúria e humilhação

 

Se me escutasses, talvez te pudesse contar este segredo meu…

Liberdade tu que me foges

 

Se me escutasses, talvez te pudesse contar

dessa teimosia cerrada

em perseguir este sonho… que me foge

neste jogo de cabra-cega

 

Se me escutasses, talvez te pudesse falar

desta ambição ardente

 

Há luta, há sonhos…

sonhos destroçados…

Há uma alma inquieta…

Um eco vazio…

 

Se me escutasses…

Talvez

… te pudesse contar

um pouco mais desse turbilhão…

 

E te dizer…

que há sonhos mais fortes do que nós…

 

JL. 23.09.2017

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Revolta

Um todo, que se funde

E se difunde.

E desperta. Mente insana

Essência. Diafaneidade.

Revolta. Revolta

Turbilhão. Difuso.

Suave. Essência tóxica.

Revolta. Revolta.

Vício extasiante do teu leito.

Amor.

Do mar ao vento ao solo.

À essência.

Revolta. Revolta.

Tu e eu.

Revolta. Revolta.

Por te amare

J.L. 05.09.17

 

“O Testamento do Sr. Napumacemo da Silva Araújo”: Um clássico molhado

Quando me foi feita a pergunta “qual é o clássico da tua vida?”, deparei comigo a pensar nos ditos grandes clássicos da humanidade: “Ilíada”, “Ulisses”, “ O Inferno de Dante”, “Romeu e Julieta”… e confesso vergonhosamente que ainda não os li… também me lembrei de grandes obras como “Os Maias”, “Orgulho e Preconceito”, “Anna Karénina”, “Cem Anos de Solidão”, “O Retrato de Dorian Gray”,  entre muitas outras que orgulhosamente proclamo ter lido. Entretanto ,deparei por mim a pensar na minha terra, na minha cultura, nos nossos livros, pensei em “Chiquinho”, lembrei-me dos poemas de Eugénio Tavares, mas o que realmente deteve a minha atenção foi “O Testamento do Sr. Napumacemo da Silva Araújo”, de Germano Almeida. Lembrei-me daquela miúda que via o filme e nada compreendia, lembrei-me daquela adolescente que lia o livro e parecia entender melhor o mundo que a rodeava.

Uma morte, um testamento, um simples testamento? Não, a narrativa de um homem a contar como fez a fortuna que agora então ia ser dividida entre aqueles que lhe eram mais próximos. Napumacemo da Silva Araújo, este clássico personagem que alegremente marcou a minha introdução às obras da minha própria cultura, que me fez olhar para cada recanto da minha ilha e docemente identificar cada canto da história, num misto perfeito de real e imaginário. Há elos que tendemos a esquecer, mas há sensações e momentos que ficam guardados para sempre na nossa memória. Prova disso é a sensação de esperança transmitida pela personagem principal, de uma forma alegre e divertida: mas quem é que em sua sã consciência lembra-se de encomendar cerca de mil guarda-chuvas para uma ilha de poucos habitantes e que, pior, quase nunca chove? Bem, na verdade foi um erro, em vez de encomendar mil lá se esqueceu e pôs um zerinho a mais, 10.000 guarda-chuvas! Este homem, no auge da sua loucura vai à igreja e confia em Deus uma oração, pede, faz promessas. E não é que uns instantes depois começa a chover torrencialmente? E quem é que se tinha lembrado de encomendar guarda-chuvas para uma ilha que nunca chove? E lá o homem fez fortuna.

A seca, a emigração e a sua viagem para o estrangeiro, tudo características intrínsecas da minha própria cultura. Coisas que comecei a descobrir pouco a pouco. É claro que no meio de tantas façanhas e de tanto humor, sentia-me mais consumida. No meio de tudo isso aos poucos um homem se revelava, com os seus segredos mais íntimos e as histórias mais caricatas. È difícil não embarcar nesta viagem que nos oferece o autor da obra, Germano Almeida. É por tudo isto que “O Testamento do Sr. Napumacemo da Silva Araújo” foi o clássico que mais me marcou. A descoberta de uma identidade, o prazer pela leitura nacional… e a alegria de poder partilhar a história com a minha mãe.

Jocilene Lima, 25/02/2013

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Man on the train

160 BPM

6 o´clock programmed alarm

Time is an unseen frame which passes by

 

The doors of billions open and close

While your eyes awake

 

Through your window time changes in colors

Leaves falling into your face

 

4532,66 km away the warmth of your body

Feels like a half-remembered dream

While the non-existent trees sway into the wind

Maybe… just maybe… God blesses the land with His tears…

 

Randomly

Out of your drawer

One in 18 ties matches your skin

While you rush into the morning train

Unknown to les passants de tous tes jours

 

Through your window time changes in colors

Of a world which feeds your fantasy

 

Slowly the bite of your desire awakes another one

Miles away

The anxiety is just a beat of your heart

Longing to meet your eyes and your smile…

 

Because as long as you are someone’s man on the train

It is all just a wish to be closer

To that beat of alarm rushing into your heart

To make a dream of other’s dream

 

JL. 16.10.16

images

Stubborn love

“It’s better to feel pain, than nothing at all
The opposite of love’s indifference
So pay attention now, I’m standing on your porch screaming out
And I won’t leave until you come downstairs”

Invisible connections

I can’t remember the sound
Of the rain dropping violently on my window
I can’t even remember if it was raining

I just know it was late night
And a cup of tea would be my usual company
Chamomile and cinnamon – it must have been

To whom would belong those fingers touching the screen?
Where millions of face would wander around
All of them strangers
But who can tell
Where invisible connections play
My face would become yours
While yours would become mine
Like a game making of random chance
Unconventional storms

I can’t remember the sound
Of the rain dropping violently on my window
I can’t even remember if it was raining

To whom would belong those black hairs?
Where distance was not even a concept?

Passion, desire or simply love which exists only in your head?

I can’t remember the sound
Of the rain dropping violently on my window
I can’t even remember if it was raining

Like living in a wilderness of mirrors
One day they cease – those connections
And all that remains are cracked pieces
So you can learn how to put them together!

Jocilene Lima, 04.06.201613126869_585054911663720_1198678617_n

The color run

Pink

Was the only word I could get

From the sound of the ink

Among the scripts for the trash

As it comes from the lime

A touch of yellow also not bad

As we run all full of colours

As ants drifting for food

Cherry on that white smile

Was the only sound we could notice

As passion would make us drink

From our own anxiety to triumph!

 

Jocilene Lima, 06.04.2016

This wall between us

Magic moonlit, shining through your eyes
What do they say? You have asked me
Waves crash along the shore, and
A long kiss has sealed all the rush

Lara Fabian’s “Part of me” plays in the car
El Aeropuerto was a word we couldn’t bare
So many planes have torn us apart
So many planes have brought us together

Rush, love, life, light, and promises…
“You don’t know, I won’t let you see”
All the dark nights following that day
I let myself be kissed, under some magic sunset

Only it wasn’t you… It couldn’t be

She has been there; in the same car,
Has heard the same music, has taken the same flight
And has felt the same warmth of your body…

Now I’m lost; “What do my eyes say?”
Your soaked lips still warm me. Between us
Still the same love… still this wall…
Then we all want it to be water under the bridge

How come if, though being morally different,
Trust and betrayal are shapes of our humanity?

Jocilene Lima, 18/04/2015

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