your eyes…

Dazzling sky above
Brown eyes vaguely gazing down
Three-dimensional

J.L. 18.04.2018

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Essence

Essence

Was the fragment of your soul

Launched into the universe upon your birth

Senseless

Was the non-captured memory of your feelings

Lost in your thoughts

Fragrance

Was the turmoil of your emotions

Thrown into chaos

Hope

Is the magic of a moonlight

Colliding with your desires

Liberty

Is an imprisoned body and mind who ceases

To believing in you!

JL. 14.08.2017

Sentir

Sentir

Este emanar violento

De ondas a se desquebrarem

Sentir

Esta força incontrolável…

Te sentir… a desvanecer ao de leve

Como espuma…

E flui…

Este coração tempestivo…

Que embarca nas ondas dos sonhos e anseios

Nestes dias meus

Nestes dias teus

Que se confundem…

Neste mar sagrado…

E que num toque ao de leve amaina, acalenta e adoça….

J.L. 25.12.2017
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Poema do saudoso Monte Cara

Beije-me com o teu azul do céu infinito
Deixe que em tua alma repouse
Te levo às costas
Te levo ao ombro
Te levo ao peito
Sei que quase nunca choras
Mas teu coração de lágrimas transborda
Sei que à noite vibras
Deixe que acalme as tuas ânsias
Em lua de prata

Mesmo que o sol queime
Atrás de mim ele se põe…
E tudo o que te regalo è beleza

Fazemos parte um do outro
Te velo e te olho
Nao te esqueço
Durmo e repouso
Grito em silêncio e partilho da tua dor
Das tuas ânsias….

Vento e mar
Nuvem
Repousa sopra leve violento passa vem e vai
E nós ficamos
Tu e eu

E mesmo se fores
Levas-me em teu coração
E se não me levares
Ficas no meu

J.L.

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Jogo de cabra-cega

Se me escutasses

Talvez te pudesse dizer

Aquilo que sem voz

em pensamento me atormenta

 

Se me escutasses

Talvez te pudesse dizer… liberdade

Tu que me foges

Neste jogo de cabra-cega

Não te alcanço

 

Vezes e vezes sem conta..

Rasgos de injúria e humilhação

 

Se me escutasses, talvez te pudesse contar este segredo meu…

Liberdade tu que me foges

 

Se me escutasses, talvez te pudesse contar

dessa teimosia cerrada

em perseguir este sonho… que me foge

neste jogo de cabra-cega

 

Se me escutasses, talvez te pudesse falar

desta ambição ardente

 

Há luta, há sonhos…

sonhos destroçados…

Há uma alma inquieta…

Um eco vazio…

 

Se me escutasses…

Talvez

… te pudesse contar

um pouco mais desse turbilhão…

 

E te dizer…

que há sonhos mais fortes do que nós…

 

JL. 23.09.2017

Revolta

Um todo, que se funde

E se difunde.

E desperta. Mente insana

Essência. Diafaneidade.

Revolta. Revolta

Turbilhão. Difuso.

Suave. Essência tóxica.

Revolta. Revolta.

Vício extasiante do teu leito.

Amor.

Do mar ao vento ao solo.

À essência.

Revolta. Revolta.

Tu e eu.

Revolta. Revolta.

Por te amare

J.L. 05.09.17

 

Um rascunho

E se te contasse te contasse
Sobre a ténue luz do luar
E se te deslumbrasses deslumbrasses
Na eterna imensidão do mar
Talvez te embriagasses embriagasses
Na ternura de um olhar,
O que houvesse houvesse
Não te saberia contar

JL. 21.03.2017

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“O Testamento do Sr. Napumacemo da Silva Araújo”: Um clássico molhado

Quando me foi feita a pergunta “qual é o clássico da tua vida?”, deparei comigo a pensar nos ditos grandes clássicos da humanidade: “Ilíada”, “Ulisses”, “ O Inferno de Dante”, “Romeu e Julieta”… e confesso vergonhosamente que ainda não os li… também me lembrei de grandes obras como “Os Maias”, “Orgulho e Preconceito”, “Anna Karénina”, “Cem Anos de Solidão”, “O Retrato de Dorian Gray”,  entre muitas outras que orgulhosamente proclamo ter lido. Entretanto ,deparei por mim a pensar na minha terra, na minha cultura, nos nossos livros, pensei em “Chiquinho”, lembrei-me dos poemas de Eugénio Tavares, mas o que realmente deteve a minha atenção foi “O Testamento do Sr. Napumacemo da Silva Araújo”, de Germano Almeida. Lembrei-me daquela miúda que via o filme e nada compreendia, lembrei-me daquela adolescente que lia o livro e parecia entender melhor o mundo que a rodeava.

Uma morte, um testamento, um simples testamento? Não, a narrativa de um homem a contar como fez a fortuna que agora então ia ser dividida entre aqueles que lhe eram mais próximos. Napumacemo da Silva Araújo, este clássico personagem que alegremente marcou a minha introdução às obras da minha própria cultura, que me fez olhar para cada recanto da minha ilha e docemente identificar cada canto da história, num misto perfeito de real e imaginário. Há elos que tendemos a esquecer, mas há sensações e momentos que ficam guardados para sempre na nossa memória. Prova disso é a sensação de esperança transmitida pela personagem principal, de uma forma alegre e divertida: mas quem é que em sua sã consciência lembra-se de encomendar cerca de mil guarda-chuvas para uma ilha de poucos habitantes e que, pior, quase nunca chove? Bem, na verdade foi um erro, em vez de encomendar mil lá se esqueceu e pôs um zerinho a mais, 10.000 guarda-chuvas! Este homem, no auge da sua loucura vai à igreja e confia em Deus uma oração, pede, faz promessas. E não é que uns instantes depois começa a chover torrencialmente? E quem é que se tinha lembrado de encomendar guarda-chuvas para uma ilha que nunca chove? E lá o homem fez fortuna.

A seca, a emigração e a sua viagem para o estrangeiro, tudo características intrínsecas da minha própria cultura. Coisas que comecei a descobrir pouco a pouco. É claro que no meio de tantas façanhas e de tanto humor, sentia-me mais consumida. No meio de tudo isso aos poucos um homem se revelava, com os seus segredos mais íntimos e as histórias mais caricatas. È difícil não embarcar nesta viagem que nos oferece o autor da obra, Germano Almeida. É por tudo isto que “O Testamento do Sr. Napumacemo da Silva Araújo” foi o clássico que mais me marcou. A descoberta de uma identidade, o prazer pela leitura nacional… e a alegria de poder partilhar a história com a minha mãe.

Jocilene Lima, 25/02/2013

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